terça-feira, 16 de junho de 2015

Croissant


 
 

“Era uma vez na lua...”

Com esta palavra, surge um novo país na nossa caminhada: a Áustria, capital Viena e talvez outros países ... que vamos descobrir...

O termo Croissant, porém, não é de origem austríaca. Encontramos, na verdade seu ancestral, o verbo Crescere, na tradicional fonte latina. Este Crescere deu origem aos verbos “crescer” em português e também Croître em francês apesar desta palavra não se parecer muito com sua ancestral em latim.

Após este verbo Croître ter se fixado na França, surgiu o gerúndio Croissant, ou seja, “crescente”, que se firmou como substantivo já no século XII ao designar um elemento específico que crescia - e decrescia! - com regularidade no céu, e fazia parte desde o início da humanidade, quer dizer o Croissant, o “crescente” da lua.

Com a figura presente no céu, o termo Croissant então passou a designar na França qualquer objeto que tivesse esta forma e passou a ser utilizada em inúmeras áreas das atividades humanas, como a arquitetura, biologia, medicina, mecânica ou a heráldica. Em geografia, por exemplo, se diz que o Croissant fertile é a região fértil em forma de Croissant que existe no Oriente Próximo, que a bandeira da Turquia tem um Croissant, e que o Croissant rouge é uma organização equivalente à “Cruz Vermelha” nos países islâmicos também do Oriente Próximo.

Então, quando a iguaria chegou à França, ela imediatamente recebeu por sua forma o nome de... Croissant!

Podemos agora nos indagar sobre esta originalidade da cidade de Viena em relação à confeitaria, já conhecida no século XVIII. Alguns pesquisadores pensam que poderia se explicar por Viena ter sido capital do imenso Império Austro-húngaro, que se estendia na direção do leste europeu, e desta forma ter sido enriquecido ao longo do tempo pelo contato com  várias culinárias, incluindo as do Oriente Próximo! Assim sendo, talvez o Croissant seja de origem... oriental!

De qualquer forma, em Paris, a iguaria encontrou rapidamente sucesso, e o Croissant inicial dos austríacos – ou no final das contas dos turcos ou dos árabes! - começou progressivamente a ser copiado por muitos outros. Sua receita então se aperfeiçoou para chegar à massa folhada e se tornar o símbolo culinário francês atual.

A palavra, apesar de ser bastante usada em português, ainda não encontrou seu lugar nos dicionários com uma forma aportuguesada própria. Dessa forma, ao contrário de “ateliê”, “batom” ou “chucrute” que receberam uma ortografia lusófona toda nova, o Croissant, assim como Bergère ou Couvert, perambula um pouco triste e sozinho nos dicionários portugueses, com sua escritura itálica inclinada que o diferencia das palavras lusófonas .

É um pouco estranho, pois o Croissant no Brasil, ao acolher com frequência queijo, ou presunto, ou ambos, ou outro recheio – mesmo que essas adições possam às vezes ser discutíveis! - já adquiriu, em relação ao Croissant francês, uma identidade própria, e deveria então ter uma escrita própria também.

Em todos os casos, a próxima vez que você comer um Croissant em Paris, você não pode deixar de imaginar este longo caminho que o levou até o seu prato , que começou longe no leste europeu, na Áustria, ou talvez ainda mesmo... no Oriente Próximo!

 

A frase enganadora do dia:

A frase francesa: “Nous avons passé la soirée sous un croissant admirable’’.

Não se traduz por “Passamos a noite sob um croissant admirável”.

 
Mas em português por “Passamos a noite sob uma lua admirável”.

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