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Palavras vindas do frances
terça-feira, 2 de agosto de 2016
terça-feira, 10 de maio de 2016
Reportagem na Tele Vida com a jornalista Gabriela Mendonça
http://www.redevida.com.br/programa/jornal-da-vida/professor-fala-sobre-palavras-de-origem-francesa.html
quarta-feira, 23 de março de 2016
Livro Galicismos 50 palavras vindas do frances
aulas.frances@hotmail.com (21) 97624-0288
Entrevista com o Consulado francês janeiro 2016
http://riodejaneiro.ambafrance-br.org/Les-Francais-de-Rio-janvier-2016-special-professeurs
Versão em português:
http://riodejaneiro.ambafrance-br.org/Os-Franceses-do-Rio-Janeiro-de-2016-especial-professores
domingo, 6 de março de 2016
Depois dos elogios do Professor Deonisio da Silva na revistas CARAS e na radio BANDNEWS
Valor do livro R$35
Em outras cidades, por favor me escrever no mail aulas.frances@hotmail.com, ficarei feliz de mandar pessoalmente o livro para seu endereço. ( R$38 com o porte)
terça-feira, 16 de junho de 2015
Abajur
“Era uma vez pessoas que queriam abater o dia...”
“Abajur” é uma das primeiras palavras que o brasileiro identifica imediatamente como francesa. Ele tem razão, e seu equivalente Abat-jour representa na França, assim como no Brasil, a “cúpula”, de forma frequentemente cônica, colocada em volta de uma lâmpada.
O curioso é que quando essa palavra apareceu pela primeira vez na forma escrita em francês, no século XVII, designava “escavações oblíquas” feitas nos muros para possibilitar a entrada da luz do dia de forma indireta nas galerias subterrâneas. Com efeito, Abat-jour quer dizer “abaixar a luz do dia”, “abater a luz do dia”, “abater o dia”! Ele poderia ser traduzido literalmente por “abaixamento do dia”!
Imagine uma sala gelada com muros de pedra recebendo de cima uma leve claridade de fora, tal uma célula de uma prisão. Estamos longe de um interior aconchegante com luz filtrada, não é?
Felizmente, para sair um pouco deste ambiente frio, a palavra Abat-jour passou a ser usada a partir do século XIX, não no sentido de orientação da luz do dia, mas no de proteção contra a mesma. Ou seja, de um meio para fazer “entrar o sol” em um lugar escuro, ela estava se tornando um recurso para “proteger do sol” em um lugar ensolarado. Uma mudança importante de significado.
A partir deste mesmo segundo sentido, a palavra Abat-jour em francês chegou a significar para as pessoas outras “proteções contra o sol”, como a viseira de um “boné”, ou mesmo um capacete colonial. Para os infelizes sem chapéu, restava para se proteger do astro solar, somente colocar a mão en forme d’abat-jour, técnica universal usada até hoje pelos torcedores de futebol de todos os países nos estádios, quando se encontram na arquibancada de frente ao sol, ao ponto de quase não distinguir as cores dos seus times. Imagine, confundir a posse de bola do meia rubro-negro com a do volante alvinegro!
Ao longo dos séculos, a luz foi pouco a pouco sendo vista de modo diferente e chegou-se a Abat-jour não somente para a luz do sol, mas também para a das lâmpadas da casa. A palavra encontrou então, a nosso ver, seu uso perfeito ao abrigar ao mesmo tempo os dois sentidos anteriormente atribuídos a ela: o de orientar a luz, e também o de proteger da luz direta.
Por estas razões, se o português não houvesse adotado ao final do século XIX nos seus dicionários a palavra francesa, primeiro com sua escritura original Abat-jour, depois transitando por “Abaju” e chegando a “Abajur”, o Abat-jour poderia talvez se chamar no Brasil, além de “quebra-luz” como foi nomeado durante um tempo, também de “orientaluz” ou ainda de “filtraluz”. Seria correto e elegante também, não é?
Croissant
“Era uma vez na lua...”
Com esta palavra, surge um novo país na nossa caminhada: a Áustria, capital Viena e talvez outros países ... que vamos descobrir...
O termo Croissant, porém, não é de origem austríaca. Encontramos, na verdade seu ancestral, o verbo Crescere, na tradicional fonte latina. Este Crescere deu origem aos verbos “crescer” em português e também Croître em francês apesar desta palavra não se parecer muito com sua ancestral em latim.
Após este verbo Croître ter se fixado na França, surgiu o gerúndio Croissant, ou seja, “crescente”, que se firmou como substantivo já no século XII ao designar um elemento específico que crescia - e decrescia! - com regularidade no céu, e fazia parte desde o início da humanidade, quer dizer o Croissant, o “crescente” da lua.
Com a figura presente no céu, o termo Croissant então passou a designar na França qualquer objeto que tivesse esta forma e passou a ser utilizada em inúmeras áreas das atividades humanas, como a arquitetura, biologia, medicina, mecânica ou a heráldica. Em geografia, por exemplo, se diz que o Croissant fertile é a região fértil em forma de Croissant que existe no Oriente Próximo, que a bandeira da Turquia tem um Croissant, e que o Croissant rouge é uma organização equivalente à “Cruz Vermelha” nos países islâmicos também do Oriente Próximo.
Então, quando a iguaria chegou à França, ela imediatamente recebeu por sua forma o nome de... Croissant!
Podemos agora nos indagar sobre esta originalidade da cidade de Viena em relação à confeitaria, já conhecida no século XVIII. Alguns pesquisadores pensam que poderia se explicar por Viena ter sido capital do imenso Império Austro-húngaro, que se estendia na direção do leste europeu, e desta forma ter sido enriquecido ao longo do tempo pelo contato com várias culinárias, incluindo as do Oriente Próximo! Assim sendo, talvez o Croissant seja de origem... oriental!
De qualquer forma, em Paris, a iguaria encontrou rapidamente sucesso, e o Croissant inicial dos austríacos – ou no final das contas dos turcos ou dos árabes! - começou progressivamente a ser copiado por muitos outros. Sua receita então se aperfeiçoou para chegar à massa folhada e se tornar o símbolo culinário francês atual.
A palavra, apesar de ser bastante usada em português, ainda não encontrou seu lugar nos dicionários com uma forma aportuguesada própria. Dessa forma, ao contrário de “ateliê”, “batom” ou “chucrute” que receberam uma ortografia lusófona toda nova, o Croissant, assim como Bergère ou Couvert, perambula um pouco triste e sozinho nos dicionários portugueses, com sua escritura itálica inclinada que o diferencia das palavras lusófonas .
É um pouco estranho, pois o Croissant no Brasil, ao acolher com frequência queijo, ou presunto, ou ambos, ou outro recheio – mesmo que essas adições possam às vezes ser discutíveis! - já adquiriu, em relação ao Croissant francês, uma identidade própria, e deveria então ter uma escrita própria também.
Em todos os casos, a próxima vez que você comer um Croissant em Paris, você não pode deixar de imaginar este longo caminho que o levou até o seu prato , que começou longe no leste europeu, na Áustria, ou talvez ainda mesmo... no Oriente Próximo!
A frase enganadora do dia:
A frase francesa: “Nous avons passé la soirée sous un croissant admirable’’.
Não se traduz por “Passamos a noite sob um croissant admirável”.
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